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menina/mulher, amiga, namorada, esposa, psicóloga, mãe e escrevo nas horas vagas. Descrever-me não adianta, você sempre terá a sua opinião. Eu sou aquilo que você pensa que eu sou. Seja verdade ou não, é a sua verdade. http://twitter.com/talitanlopes

31 outubro 2015

Relato de Parto – Parte I


Relato de Parto – Parte I
Meu relato de parto começa na verdade quase um ano antes do parto em si. Quando decidimos que iríamos parar com o anticoncepcional e tentaríamos engravidar. Eu tinha muitas dúvidas sobre tudo, o que me fez ter sede por informação.
Devido a várias experiências traumáticas de internações hospitalares, por diversos motivos, eu tinha certo pavor do parto no hospital, por acreditar que passaria por várias situações nada legais que havia enfrentado até então.
Procurei me informar muito sobre gravidez, o antes, o durante e o depois. Comecei a pesquisar mais sobre o parto lendo muitos artigos a respeito do tema, li também vários relatos de parto e, com isso, acabei conhecendo e entrando em grupos do facebook que falavam sobre parto natural e humanizado. 
Enquanto pesquisava e lia, também ia inteirando o Eduardo sobre o assunto. Ele não gosta muito de ler, mas quando leio pra ele sempre presta atenção e conseguimos dialogar a respeito do tema. Eu acredito que sem o parceiro/marido/companheiro, é muito difícil essa caminhada. Sempre estivemos juntos nessa desde antes de engravidar, teríamos que estar juntos também a respeito do parto. Foi extremamente importante esses momentos de estudo pra nós dois.
O assunto foi me interessando demais, até que ouvi falar sobre o parto domiciliar planejado e li muitos relatos. Seria possível o parto acontecer num ambiente que não fosse o ambiente hospitalar? Siiiiiiiim, era possível. Mergulhei em mais informações, devorava artigos, relatos, estudos com evidências científicas, lia sobre leis e em uma delas descobri uma lei que garante a mulher o direito de parir onde se sente mais segura. Quer ambiente mais seguro do que o meu lar? Mas agora como convencer o Duinhu a embarcar nessa comigo? Desde que li sobre o parto domiciliar planejado, meu coração se encheu de alegria. Senti como se Deus dissesse pra mim “é isso, vá em frente, Estou com você!”.
Conversei com o Du sobre o parto domiciliar e mais do que depressa ele disse “Não, nem pensar. Você quer o parto natural? Ok concordo, afinal o corpo é seu, mas domiciliar? Não vai rolar”. Eu não discuti, não retruquei, me calei e pensei que deveria usar de outra estratégia para que ele sentisse paz e segurança, e também quisesse o parto domiciliar.
No dia 13 de fevereiro (dois dias antes de descobrirmos que estávamos grávidos) eu e o Du assistimos ao documentário O Renascimento do Parto. Uaaaaaau, metanóia na hora. Chorei. Choramos. E quando terminou ouvi o Du dizer “não tenho dúvida de que o nosso parto será em casa”. Ohhhh além de dizer que seria em casa, ele disse NOSSO PARTO. Sim, porque ele também teria que parir junto comigo. Então pronto! Foi dada a largada para essa caminhada longa, dolorosa de ir contra o sistema, de lutar por um parto que escolhemos, de nos munir de informações pra debater de igual pra igual com profissionais da medicina desinformados e que quiseram nos desestimular ao parto natural.
A outra caminhada difícil foi comunicar a família e amigos próximos da nossa decisão. Várias pessoas se mostraram surpresas, outras nos chamaram de irresponsáveis, outras torciam contra em silencio, outras se mostravam curiosas. Porém aos poucos fomos aprendendo que algumas decisões cabem somente a nós mesmos sabermos e arcarmos com elas. Optamos pelo silencio, até mesmo quanto a informar quantas semanas de gestação estávamos no terceiro trimestre, porque as pessoas tinham prazer em contar tragédias e botar medo (prazer macabro esse, mas têm).
Próximo passo foi achar uma equipe da hora pra nos acompanhar na maior viagem das nossas vidas. Quem? Por onde começar? Como saber se são as melhores pessoas pra estar em um dos dias mais importantes das nossas vidas? Foi aí que começamos a participar das rodas de discussão dos grupos de gestante e íamos a palestras diversas nos grupos Samaúma, Arte de Nascer, Vínculo, Mulheres Empoderadas, Essência Materna. Foi bem legal, nos abriu novos horizontes, porque por mais que os temas fossem repetidos, toda vez aprendíamos algo novo. Estar com pessoas diferentes, que pensam diferente e vivem diferente nos faz aprender e crescer. 
A galera que nos acompanharia no dia do parto foi “achada” de uma maneira nada convencional, eu acho. Fazendo orçamentos de fotografia para o dia do parto, encontrei uma pessoa empática, disposta, além de profissional maaaara, Michele Pampanin Fotografia. Mandei mensagem no facebook e ela respondeu, era mais de meia noite e começamos a conversar sobre o trabalho de fotografia e quando vi, estava desabafando com ela e falando do tanto que estava difícil achar uma equipe para o parto domiciliar, que não sabia como fazer por onde começar, que as vezes sentia que alguns profissionais não estavam nem aí. Ela me acolheu, me tranqüilizou, conversou comigo e me indicou a equipe maaaara que nos acompanhou. Minha gratidão Mi, forever.
A Mi me passou o blog da que seria minha futura doula, Valentine Kasin. Li o relato do segundo parto dela e ria horrores à uma da matina. Eu pensei “Pronto, é ela. Ela tem a minha cara, ela é fora da casinha, é irreverente, sabe colocar em palavras as emoções de um dos dias mais importantes da vida dela (sim, eu conseguia imaginar ela falando sem nunca tê-la conhecido). É ela”. Marcamos um encontro em que conheci a Mi e a Val. Não tive dúvidas de que as duas estariam comigo no dia do parto.
Depois a Mi me indicou também as parteiras/enfermeiras obstetrasParteiras Aurora , que fazem parte a Alana Ferreira , Olivia Separavich eFernanda Abbud . Entrei em contato, marcamos um encontro e conhecemos a Alana e a Olívia, a identificação foi imediata também. Foi uma conversa muito gostosa, elas nos tranqüilizaram, nos instruíram, e sabíamos que seriam elas a estar com a gente e nos auxiliar também no pré natal.
Você pode estar se perguntando “ué, mas e médico?”. Sim, eu fiz pré natal com uma médica obstetra, indo a todas as consultas e fazendo exames. Porém, por ser uma gestante de “baixo risco”, não havia a necessidade de acompanhamento médico no dia do parto. Mesmo porque a médica que me acompanhava, foi uma das que queria me meter uma cesárea pelos motivos mais torpes e banais que existem.
Enfim, a caminhada até o dia do parto também foi deliciosa, porque todos os dias se confirmava em nosso coração a certeza de que nossa Dudinha nasceria em casa, sim estaríamos seguros, Deus estava conosco e nos sentíamos abençoados. “...e eis que eu estou convosco todos os dias...” Mateus 28:20b
Sobre o dia do parto? Ta na parte 2...logo mais...

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